sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Na voz, Wagner Moura


Agora é "Sua Mãe". Depois de fazer sucesso com Ó pai ó, Cobras e lagartos e Tropa de Elite, Wagner Moura a veio a Salvador e divulgou sua banda de rock romântico brega, em um único show que aconteceu no dia 19 de agosto na casa de show Boomerangue. Esta foi à terceira vez que a banda se apresentou ao público, não por falta de convites, mas devido à agenda lotada do ator.
Apesar de estar sempre empenhado nas dramaturgias, Wagner Moura sempre arruma um jeito de ensaiar com Gabriel Carvalho, seu amigo de infância e com quem divide o palco com a banda. Depois de várias tentativas e oportunidades, Sua Mãe mostrou o lado B de Wagner, além de atuar o cara sabe cantar. Dono de uma voz sensual, ele também comanda o violão e a direção artística da banda. Mas do que um trabalho, Sua Mãe é pura diversão. Atualmente o ator e cantor encena a peça Hamlet, uma adaptação do clássico shakespeariano.
Devido a compromissos pessoais, a entrevista foi concedida pelo baterista da banda Leco.



LIONARA OLIVEIRA- Como surgiu a idéia de formar a banda?
SUA MÃE- A história começou com Wagner Moura e Gabriel Carvalho quando estudavam no Colégio Mendel no início dos anos 90. Foi o encontro de jovens com talento artístico que curtiam The Cure, U2 e outros clássicos do rock. A partir daí, começaram a arregimentar os amigos. Sua Mãe já teve várias formações. Barbosão no baixo, Kezo (da banda Setembro) na bateria, Xandão (Scambo) na guitarra, o próprio Gabriel tocou bateria e teclado durante muito tempo. Conheci os caras na Facom (Faculdade de Comunicação da UFBA) e começamos tocar nas farras da faculdade, aniversários, casas de amigos. Depois, mais recentemente se integraram Claudinho, Ede, Serjão e Tangre. Eis Sua Mãe renovada e pronta pra fazer o som em qualquer lugar.

LO- O que está por trás do nome Sua Mãe?
SM- É uma pergunta difícil de responder. Segundo os criadores da banda, Wagner Moura e Gabriel Carvalho, é um nome non sense, fazendo jus ao espírito informal do início da banda. Então, se brincava muito com o nome: "Vou tocar com Sua Mãe!", "Sua Mãe tá massa!", "Tô aqui com Sua Mãe" e por aí vai.


LO- Já que todos têm uma vida atribulada extra banda, como arrumam tempo pra ensaiar e divulgar Sua Mãe pelo Brasil?
SM - Bem, é uma banda de jornalistas e fotógrafos. Mesmo Wagner sendo formado em jornalismo, nosso contemporâneo da Facom, então ficamos divididos: nós seis aqui em Salvador e Wagner na ponte aérea Rio-Sampa encenando Hamlet e tocando outros projetos. Ensaiamos uma vez por semana em média no estúdio de Jaiminho e Márcio, em Brotas. À medida que as músicas vão se ajustando, passamos pra Wagner avaliar. Mas mesmo antes, conversamos muito por telefone e internet. A tecnologia há algum tempo vem facilitando os processos criativos pra todo mundo. É incrível essa revolução. Depois de nossa aparição na TV, a coisa tomou corpo e imagino que o Brasil inteiro sabe agora que Wagner tem uma banda chamada Sua Mãe. Então, não precisamos nos preocupar tanto com divulgação, mas fazemos naturalmente o boca-a-boca com os amigos e colegas jornalistas.

LO
- Todo artista sofre uma influência artística de outro, quais as influências de vocês?
SM - Bem, a banda é grande e cada um tem suas preferências musicais, mas o som de Sua Mãe é inspirado no brega de Odair José, Waldick Soriano, Roberto Carlos, Altemar Dutra, Reginaldo Rossi, Diana, em muitas músicas românticas que são belas, apesar de pouco lembradas ou até desconhecidas. O elemento que sustenta essa idéia é o rocknroll, nossa linguagem predileta. Guitarras nervosas, bateria agressiva, dialogando com melodias doces e muitas vezes dissonantes. Identificamos nosso som (e o brega também) com a melancolia do rock inglês, do Cure, Smiths, Radiohaead, Muse. Mas nossa formação é extensa, Gabriel e Tangre tocam reggae na Folha de Chá, Ede é da 8 da Noite, outra banda de reggae, Claudinho tem uma ligação com o samba, produz a Sambatrônica liderada por Jonga Lima. Serjão tem forte influência do metal e hardcore. Todos gostam muito também dos clássicos do rock ianque que trazem pegada pro som, até porque o rock inglês também bebeu e ainda bebe na fonte norte-americana e vice-versa.

LO - Quais os projetos da banda daqui para frente?
SM - Estamos assimilando ainda o primeiro show, avaliando o que temos que melhorar ajustar. Buscando espaço na concorrida agenda Wagner. A idéia fazermos um show em breve fora de Salvador, talvez Sampa e no final do ano gravar nosso CD. Gravamos este ano uma demo que foi distribuída em São Paulo, Rio e Salvador. Ainda não temos como confirmar nada.


LO - Como é que está a aceitação do público, já que eram acostumados a ver Wagner Moura apenas encenando e agora vêem numa nova outra performance?
SM - A melhor possível. Tem o lado da tietagem que já era esperado por todos nós, mas a maioria da galera curte a proposta da banda, essa releitura do brega com uma pegada mais forte. Ou seja, tá interessado em ver o lado musical de Wagner e seus brothers. Temos ouvido bons comentários de diferentes públicos, de idades diferentes, até da galera da cena rock baiana, o que nos dá mais ânimo pra investir na idéia.


LO - Muitos baianos não sabiam da existência da banda. Qual a sensação de vocês, ao retornarem a cidade natal e apresentarem um "projeto novo"? Pretendem voltar com a banda?
SM - Sempre quisemos que Sua Mãe perdesse a virgindade em Salvador... heheheheh.... Então, foi uma experiência incrível tocar pela primeira vez oficialmente pra uma platéia de amigos, familiares e colegas de faculdade e profissão. Batismo de ouro. Agora, é buscar mais profissionalismo ainda e tocar onde for possível. Claro, que vamos fazer novos shows em Salvador e no interior. A Bahia é nosso terreiro... a benção é aqui.



LO - Sua Mãe foi apresentada pela primeiro vez no "Circo do Edgar". Esta apresentação foi iniciativa de vocês ou do Edgar e da produção do programa?
SM - A produção do Edgard aproveitou a entrevista com Wagner sobre a peça Hamlet, em cartaz em São Paulo, para revelar o lado musical dele. E aí, nos convidaram. Foi massa, passamos dias inesquecíveis em Sampa. Impressiona que os paulistas têm uma curiosidade imensa pelo que você está fazendo, nata de quem vive de cultura, tem o hábito de se envolver com arte, buscar coisas novas. Algo ainda incomum em Salvador. Aqui bate às vezes a sensação de marasmo, pouco espaço pros novos talentos. Tem muita gente talentosa nessa Bahia, do regional ao "muderno"...


LO - Sua Mãe está na ativa há 17 anos, possui um grande repertório com aproximadamente 500 músicas, mas porque ainda está no anonimato?
SM - Há 17 anos tocando somente entre amigos. Então, é muita música mesmo... rs... Agora que Sua Mãe deu as caras pro grande público e começou a arrumar um repertório, alinhar as músicas que tem a ver com essa proposta do brega rock.


LO - Como você classificaria Wagner cantor?
SM - Wagner é um talento impressionante. Sua trajetória de ator dispensa comentários. Mas a cantoria vem de antes, afinal Sua Mãe começou quando ele ainda era um ator novato. E mesmo em muitas peças de teatro, como Abismo de Rosas, Preço do Pecado, ele já mostrava que cantava bem, que era afinado; cantou Lupicínio Rodrigues, marchinhas de carnaval. Ele soube unir bem esse dois talentos, o musical e o dramatúrgico. Em Sua Mãe, ele alia a boa voz e à capacidade de interpretar uma música, o que cria um novo elemento pra banda, mais que um cantor, é um ator também ali, buscando a carga emocional da composição, um trabalho de intérprete. No nosso show de estréia, ele recitou um poema de Clarice Linspector no final da música Volte.



LO - Como você definiria Sua Mãe?
SM - Amigos que gostam de fazer música juntos e viajaram nessa mistura de rock e brega por gostar dos dois estilos musicais e se divertir com isso tudo.


SUA MÃE
Wagner Moura - Voz, violão e direção artística
Gabriel Carvalho - Voz, guitarra solo e direção musical
Ede Marcus - Voz e guitarra base

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Minha sereia






Mergulhar, no azul piscina
No mar de pajuçara
Deixar o sol bater no rosto
Ai que gosto me dá
E as jangadas partindo pra o mar
Pra pescar,
Minha sereia
Maceió, minha sereia
Maceió, minha sereia, maceió