
O metrô é hoje, um importante meio de transporte das grandes cidades brasileiras. Sua função é transportar um maior número de pessoas, para acabar com os grandes congestionamentos que assolam as grandes metrópoles. As extensões metroviárias variam muito de cidades, que podem até ultrapassar os limites das mesmas. Em Salvador ainda com as obras inacabadas não chegará à tamanha expansão, limitará apenas a capital baiana.
Uma questão de extrema importância na construção do metrô em Salvador está relacionada com o Meio Ambiente. Sabe-se que qualquer grande obra que possa vir afetar o meio ambiente, é necessário realizar um estudo para analisar os impactos devastadores no aspecto físico, biótico e antrópico no local da obra. Com a construção das quatro linhas de estações do metrô de Salvador, não foram diferentes. Estudos foram feitos para definir e amenizar a devastação nas extensões geográficas da construção do metrô.
Quem circula na região do Bonocô, um dos trechos do metrô, percebe mitidamente a construção de concreto feito na local da obra, o que causa insegurança dos moradores, devido a uma passarela que tem no local e há pouco tempo foi removida e rebaixa devido às obras do metrô. “Eu tenho muito medo de passar nessa passarela, principalmente depois do acidente que matou o operário, mesmo não sendo aqui na passarela, mas eu tenho medo”, salientou a cabeleireira Cleusa Santos, 36, moradora do Bairro Daniel Lisboa, que trafega na passarela diariamente, pois trabalha no bairro da Lapa.
Umas das indignações constante dos moradores do Bonocô são os ruídos constantes, que as obras causaram. “No inicio da obra era um ruído horrível, ninguém conseguia assistir televisão e muito menos dormir, eu ficar indignada cheguei a mandar carta para o programa de Varela, mas não deu nada e eu deixei para lá, sabia que não ia resolver mesmo”, declarou srª Santos. “Eu cheguei a brigar com o operário por causa dos ruídos, mas depois cair na real, o problema não é dele, eles estão tentando fazer o melhor para melhorar o trânsito em Salvador”, ressaltou o morador Abelardo Nascimento, 56.
Outro problema que causa indignação dos moradores é a geração de poeira que a obra causa. A névoa de poeira aumentou os problemas respiratórios de muitas crianças, que moram nas redondezas das obras na região do Bonocô. “Meu filho de três anos, fica gripado sempre. Eu o levo no posto para fazer nebolização sempre. E ainda gasto dinheiro com remédio”, reclama a dona de casa, Rita Silva, 28, moradora da Travessa Paraíso.
Ruídos constantes e geração de poeira, desses males o menos pior, o que está indignando ainda mais, não só os moradores do próprio bairro, mais a população que circula diariamente na região, é a modificação da paisagem da principal via de acesso da cidade. Eles reclamam, pois a obra do metrô deixou a Bonocô “feia”. Com a construção da obra, muitos moradores alegam que a construção de concreto deixou a cidade esquisita um ambiente carregado, como reclama o srº Divino do Espírito Santo, 76, “Está muito feia essa obra, esse pilar de concreto deixou aqui muito feio, ainda essa passarela embaixo do concreto está esquisita”. “O pior será se essa obra não sair de fato, devido às paralisações e ao desvio de dinheiro. E depois ficar a Bonocô feia do jeito que está”, salientou o motorista de ônibus da empresa BTU, Clovis Santos, que dirige na linha Bonocô-Lapa.
O metrô de Salvador não resume somente na região do Bonocô, o Campo da Pólvora também é outro trecho do metrô que foram estudados para perceber os impactos no Meio Ambiente. Este trecho parasse ser o mais problemático da região, aqui algumas famílias tiveram de ser remanejadas para a construção da obra, como afirma o srº Adailton Meneses, 42, morador do bairro há mais de 15 anos, “Minha família, foi removida porque as obras do metrô passariam pela minha ex-casa”. O senhor Meneses recebeu uma indenização da construtora, como forma de amenizar os problemas causados pela obra, para comprar uma nova casa.
Outro problema apontado pelos moradores é a constante aparição de animais peçonhentos, como cobras, causando o afugentamento da fauna. Este problema de fato só veio a ser constatado depois das obras do metrô. Segundo os moradores, antes era quase impossível perceber serpentes em residências, hoje quase todos se queixam dessas visitas repentinas que os animais costumam fazer. Alguns operários relataram que durantes as obras tiveram o desprazer de achar uma cobra e que por um descuido do próprio, seria picado, “Quase eu fui picado por uma cobra, a minha sorte foi que na hora eu estava com um piquete na mão e atirei nela. Era uma cobra verde”, retrucou o operário Samuel Costa.
Segundo os relatos dos operários, no Campo da Pólvora há cerca de um ano foram descobertos durante as escavações quase 20 mil fragmentos arqueológicos, provavelmente dos séculos XVIII e XIX. Esses fragmentos eram basicamente objetos que compunham o impressionismo decorrente do próprio século vigente. Esses objetos eram louças, vidros e cerâmicas. O estudante Fábio Mascarenhas do curso de História da Universidade Federal da Bahia declarou: “É uma oportunidade única lidar diretamente com tudo isso, trabalhar com a história da cidade, além de viver a expectativa de descobrir um novo fragmento a cada dia”.